Com localização privilegiada, São Paulo Corporate Towers é um empreendimento de ampla visibilidade na capital paulista. Localizado junto à marginal do Rio Pinheiros, no bairro da Vila Olímpia, os dois edifícios projetados abrangem uma quadra inteira de 38.000m² entre a Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, a Rua Funchal e a Avenida Chadid Jafet. O empreendimento abrange a construção de duas torres de escritórios, com 30 andares cada, além de uma área comercial térrea, um centro de conferências, restaurantes e cafeterias, um ático e um heliponto. As torres estão divididas em 2 partes: um núcleo central onde se localizam os 3 conjuntos de elevadores, escadas de emergência, áreas técnicas e sanitários; e a área dos escritórios circundando tal núcleo.

Certificado com LEED Platinum, o empreendimento conta com várias facilidades e tem selo de sustentabilidade garantido ao proporcionar, desde o projeto inicial, escolhas que priorizaram a flexibilidade, a economia de materiais, a gestão de resíduos, a economia de energia e água, o reuso de água, a utilização de água pluvial, a automação inteligente e muito mais.

De modo a melhor se adaptar aos conceitos do projeto arquitetônico e visando rapidez na execução, a estrutura foi concebida pensando em um sistema construtivo misto, composto por núcleo central de concreto armado executado com fôrma autotrepante, circundado por vigas metálicas e laje steel deck.

O núcleo em concreto armado trabalha em conjunto com a estrutura metálica que o circunda, garantindo a estabilidade de toda a estrutura de 30 pavimentos. O projeto da estrutura metálica foi desenvolvido pelos escritórios Kurkdjian Fruchtengarten Engenheiros Associados e Codeme Construções em Aço.

Os pilares do perímetro externo de ambas as torres possuem seções que variam de inclinação conforme passa-se de andar a andar. Além disso, tais pilares também possuem sistema construtivo misto, com um pilar final em concreto armado construído em volta de um perfil metálico de montagem.

O desequilíbrio das forças horizontais gerado pelas mudanças de inclinação dos pilares da periferia - desequilíbrio este concentrado no 3º e no 7º pavimentos - é resistido pela ação conjunta das lajes, que funcionam como diafragmas, e do núcleo de concreto armado, conforme mostram as imagens a seguir. Tanto o 3° quanto o 7° pavimento receberam tratamento estrutural específico em decorrência deste desequilíbrio, com o espessamento das lajes para alojar cabos de protensão e barras Dywidag. O cálculo dos esforços horizontais nas lajes e no núcleo passou por diversas etapas, desde modelos simples de balanço vetorial de esforços, até soluções sofisticadas como modelos de chapa, em duas dimensões (baixa hierarquia), e modelos mais complexos, em três dimensões (hierarquia mais alta, com mais tipos de elementos e mais graus de liberdade) Os resultados deste estudo permitiram validar a direção de caminhamento horizontal de cargas. Ao final, com estas validações, modelos de “Biela e Tirantes” foram utilizados para dimensionar as lajes.

O projeto estrutural deste empreendimento também contou com análise de esforços decorrentes das ações do vento utilizando um Túnel de Vento. Dentre as questões analisadas por este estudo estão as pressões nas fachadas para o projeto dos caixilhos; as ações de vento para o cálculo da estrutura; e as questões de conforto do usuário durante os ventos usuais (recorrência de 1 ou 10 anos).

Outro ponto interessante deste projeto foi as soluções para as áreas externas e térreas. Para que a marquise da área externa pudesse facear a estrutura das duas torres, por exemplo, foi necessário que suas vigas se apoiassem nos pilares circulares que circundam as torres internamente. Para este apoio, foi pensado em um consolo metálico que conferisse, além de estabilidade estrutural, pouca interferência visual na transição entre o externo e o interno. Assim, um bloco de concreto foi construído ao redor do pilar na altura da viga da marquise, circundado por perfis e chapas metálicos que, ao mesmo tempo que serviam como molde para o bloco, faziam parte do consolo metálico. A viga de concreto da marquise se apoia no consolo sobre peças de neoprene fretado que faz a consolidação entre os dois e permite a movimentação estrutural da viga.

Em adição, as pré-lajes utilizadas como solução estrutural nos subsolos do empreendimento devem ser destacadas como excelentes opções para um produto final de ótima qualidade, com uma produção sem a utilização de fôrmas e com escoramento reduzido.

Os painéis treliçados com EPS das pré-lajes foram inteiramente personalizados para este empreendimento e receberam especial atenção para que o acabamento final necessitasse o mínimo de trabalho possível. Um detalhe interessante destas lajes são as ligações das mesmas com as paredes diafragmas: para que não ocorressem fissuras nesta ligação (em decorrência da retração do concreto da pré-laje), deixou-se uma faixa sem concretar na região de apoio, sobre um console metálico - antes havia sido previsto um console corrido de concreto como apoio, que posteriormente foi trocado pelo  console metálico (com peças de neoprene para a movimentação livre dos painéis). Apenas após chumbar e dobrar as barras de ligação entre a parede e os painéis é que se concreta a faixa restante com microconcreto.

Arquitetura | Pelli Clarke Pelli Architects e Aflalo e Gasperini Arquitetos
Incorporadora e Construtora | Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário S.A.
Área do terreno | 38.000m²
Área construída | 258.000m²
Local | São Paulo, SP
Início da obra | 2012
Conclusão da obra | 2015
Certificação | LEED PLATINUM